sábado, 28 de janeiro de 2012

FOGO FÁTUO

Ando pela cidade a esmo,

Planejando te encontrar por acaso...

Recrio, nas ruas sem sentido,

A geografia da Terra Prometida.

E a ausência de razão que me domina

Consome ,

em fogo fátuo,

Aquilo que resta de mim:

Eros X Thanatos ...

Minhas entranhas se contorcem

Em agonias:

Desejo ardente...

Delírio

e expectativa vã

De tua barba

em suave deslizamento

pelas minhas encostas...

E de tua península

A invadir a minha enseada.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AMPUTAÇÃO




À memória de MARIA ELISA PIMENTA






Cada amigo que atravessa a névoa do TEMPO, leva consigo um pedaço da gente...









e infelizmente já faltam muitos pedaços em mim...






Alma também fica em carne viva...






E dói uma dor latejada e sem esperança...






Uma dor sem cura...






Sem remédio...






que nem as lendas urbanas podem servir de consolo...






Amigo devia ser proibido de morrer...



sexta-feira, 4 de junho de 2010

ANANDA - ÊXTASE, ALEGRIA

Despertei estranhamente feliz – esse sentimento que nos visita de quando em quando de surpresa.

Silêncio absoluto na casa.

Silêncio na praça.

Silêncio na urbe.

Silêncio no mundo.

E como a gente sempre desconfia quando tudo parece perfeito, por um átimo de segundo suspeitei de tanta paz: que estará acontecendo?

Apurei o ouvido em busca de ruídos dissimulados. Mas nada: havia de fato no ar uma tranqüilidade quase tangível, que parecia ironizar minha desconfiança.

Notei que o proprietário da casa, que eu havia alugado para as férias, havia esquecido o dicionário de sânscrito aberto sobre a mesa de trabalho, na noite anterior à minha chegada.

Era um homem excêntrico, professor de filosofia oriental e estudioso de línguas antigas. Como estava precisando de dinheiro, alugou a casa onde morava e se instalou na edícula ao lado, pelo período do contrato.

O dicionário fora esquecido como estava: aberto na letra A, com sublinhas na palavra ANANDA, que despertou minha curiosidade.

ANANDA - sentimento de êxtase, alegria – era a definição do dicionário.

Pensei que, se algum dia tivesse uma filha, seria esse o nome dela.

Abri a janela: uma montanha verdejante me saudou e um raiozinho de sol venho brincar na minha cara.

Como se fosse um mensageiro, um beija-flor parou na minha frente e me ofereceu suas boas-vindas.

Afastou-se, deixando-me de presente a toada de um mistério: essa música silenciosa que permeia a contingência e remete ao sentido de tudo...

sábado, 6 de março de 2010

GEOMETRIAS NÃO- EUCLIDIANAS

Silêncio de cavernas espectrais, solidão...

água pingando, eco...

silêncio rápido...

angústia gritando no peito.

uma vela assusta a sombra,

e me revela o avesso de mim:

sou um segmento de reta

em busca não-euclidiana de sua paralela

no infinito

domingo, 27 de setembro de 2009

RESENHA: INSTINTO -ANTONY HOPKINS EM MAGISTRAL 'INCORPORAÇÃO'

Em mais uma interpretação magnífica de ANTONY HOPKINS, o filme INSTINTO é para ser degustado e revisitado em várias sessões.

Basicamente, o tema tratado diz respeito àquilo que o homem perde quando a razão se torna sua única linguagem com o mundo.

HOPKINS interpreta um antropólogo que se embrenha nas florestas africanas para estudar os gorilas. Aos poucos, no entanto, vai se despojando de sua atitude científica diante do objeto estudado, para se deixar permear pelos elos de solidariedade com os animais e o ambiente: elos que existiram no passado atávico da espécie humana e que se perderam com a chamada “civilização”.

O antropólogo, após se dar conta disso, passa pela traumática experiência da violência do homem contra os animais... a quem tenta defender e, por sua vez, por quem é igualmente defendido.

Ser tão profundamente recebido no seio de outra espécie transforma o antropólogo em alguém que acaba por perder os laços com a sua própria espécie, razão pela qual ele emudece: a negação da linguagem é a marca mais evidente da ruptura com o outro civilizado.

O resgate transformador da linguagem negada se dá com um jovem psiquiatra – não por acaso, negro – brilhante, ambicioso, cheio de valores civilizados, que, por sua vez, resgata em si também a pura e simples capacidade de se identificar com o outro e de se descobrir também um doente da civilização.

Um filme inesquecível, para ser aplaudido de pé.

REALIDADE VIRTUAL

Vivo no avesso de mim.
Apenas minha turbulência dá notícia de que estou viva.
Tanto eu quis aprender a serenidade!
Mas a vida já se faz tarde, e ainda há tanto por fazer...

Revisito com freqüência meu passado,
E minhas cicatrizes sangram como feridas em seu estado original.
Nas minhas memórias ainda te dou vida:
Brinco de deus,
e conduzo a matriz da tua realidade
por desdobramentos diferentes do que foram...

Tenho saudades do que não vivemos...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

APRESENTANDO O BLOG GUARANÁ CULTURAL

Estamos acrescentando mais um blog à nossa lista: o Guaraná Cultural (www.guaranacultural.wordpress.com).
A proposta do blog é reunir criadores de todos os naipes, de forma que é feito a várias mãos.
A coluna FILOSOFANDO é de responsabilidade do amigo e ator AIRTON RENO, que vem trazendo sua contribuição com pensamentos, reflexões e diálogos com pensadores tais como JUNG, PITÁGORAS e outros...
Vale a pena conferir.